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Governos, setor privado e sociedade civil são co-responsáveis para implantar políticas para construção sustentável

por Dayane Cunhaúltima modificação 15-09-2008 12:41:00

Governo, iniciativa privada e a sociedade em geral devem se aliar para criar políticas públicas que induzam a ação de práticas com reduzido impacto ambiental no setor da construção civil, disse Ellen van Bueren, professora na Delft University of Technology, Holanda, especialista em políticas públicas para o ambiente construído, em evento promovido pelo Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS).

"Os diferentes atores devem se reconhecer e implementar a construção civil sustentável", defendeu.

Neste processo de reconhecimento e participação, o poder público deve participar, utilizando o que ela chama de "três forças" do setor: a competição, interdependência entre os atores e a hierarquização. No entanto, a holandesa defendeu que o governo faça regulamentações mínimas, para não atrapalhar o setor, mas sim, fomentá-lo, enquanto o consumidor deve agir na outra ponta, demandando mais qualidade e menos impacto dos imóveis que compra.

Em um painel truncado pela falta de tempo para promover um debate amplo, Bueren deu exemplos de seu país, que, após quatro décadas, conseguiu reduzir reaproveitar 90% dos resíduos da construção civil e, de 1970 a 2002, a eficiência energética do país aumentou 60%.

Lá, no entanto, a principal barreira continua sendo uma falta de coordenação entre os vários agentes do setor, pois, explicou a professora, empreiteiros, arquitetos, fornecedores, trabalham de maneira isolada, dificultando o setor.

"Cada um entende a sustentabilidade de uma forma, dependendo de onde trabalha, do que estuda", afirmou.

A professora citou o exemplo hipotético de um empreiteiro que mantém bom relacionamento com alguns fornecedores, mas que não dispõem dos produtos necessários pedido pelo arquiteto de um projeto que visa reduzir o impacto ambiental da obra. Segundo ela, o dilema surge entre manter o fornecedor, que oferece bom preços por causa do relacionamento, e atender o arquiteto.

Por isso, muitas vezes, o construtor se vê na escolha entre garantir uma obra com menor impacto ambiental indo atrás de outros fornecedores, talvez com preços mais altos e custo de negociação maior ou de mudar o projeto inicial para melhorar o retorno financeiro garantido pelo relacionamento com o fornecedor.

No Brasil, este dilema é ainda mais sério, pois além da falta de tradição neste setor, a prioridade das políticas de habitação é reduzir o déficit habitacional estimado em 8 milhões de moradias o mais rápido possível.

Segundo a coordenadora do Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat do Ministério das Cidades, Maria Salete Weber, o governo ainda não introduziu a redução de impactos ambientais na pauta.

"Não é fácil abordar esta questão e estabelecer políticas públicas na área de construção sustentável, porque sempre outras prioridades se apresentam ao governo", ponderou Weber.

O representante do Ministério de Minas e Energia, Paulo Leonelli, secundou Weber e disse que a implementação de sistemas de eficiência energética em construções ainda e voluntário e sem prioridade. Ele deu exemplos do Programa de Etiquetagem Voluntária de Nível de Eficiência Energética de Edifícios Comerciais, de Serviços e Públicos, publicada este ano. O programa é semelhante ao selo Procel, que indica o nível de eficiência energética nos eletrodomésticos.

A pesquisadora teve mais tempo que os outros participantes para mostrar as políticas públicas de seu país na área de construção civil. O evento também contou com a participação de Izabella Teixeira, representante do Meio Ambiente e Dalvino Troccoli Franca, da Agência Nacional de Águas, que quase não fizeram comentários durante o debate.

 


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