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Logística reversa de celulares começa a render

por Alexandre Spatuzzaúltima modificação 17-09-2008 18:32:00

Há sete anos o auditor ambiental Marcelo Oliveira percebeu um desafio e uma falha no mercado de celulares e outros eletrônicos: a falta de organização logística para cumprir a normas legais de disposição de baterias. Hoje, Oliveira é o principal coletor da maioria das operadoras e já estuda entrar na logística reversa do setor de informática e outros eletrônicos, Oliveira informou à Revista Sustentabilidade.

Há sete anos o auditor ambiental Marcelo Oliveira percebeu um desafio e uma falha no mercado de celulares e outros eletrônicos: a falta de organização logística para cumprir a normas legais de disposição de baterias. Hoje, Oliveira é o principal coletor da maioria das operadoras e já estuda entrar na logística reversa do setor de informática e outros eletrônicos, Oliveira informou à Revista Sustentabilidade.

"Investimos [neste setor] porque não tinha gente fazendo," lembrou.

Ele comanda a GM&C, uma empresa com 50 funcionários contratados e coordena uma rede de coletores terceirizados que coletam por mês, em 10 mil pontos no país, 20Kg a 30Kg de baterias e celulares de várias operadoras nacionais para entregar para as grandes recicladoras.

Oliveira afirmou que o mercado vem crescendo a taxas de 70% ao ano, estimulado pela maior consciência da população, a crescente fiscalização das leis ambientais e pelo fato das operadoras agora terem uma receita com a venda dos celulares usados.

"Quando comecei, a operadoras pagavam para as recicladoras receberem o material, hoje as recicladoras pagam por ele", explicou.

Um quilo de celular usado hoje pode valer entre R$1 e R$3 enquanto a bateria vale entre R$ 0,20 e R$ 0,60 centavos.

A lógica do negócio é que o processamento das cinco recicladoras melhorou e agora permitem a produção de insumos reciclados.

"Tudo que chega é reciclado," disse.

O plástico triturado é usado como insumo energético, enquanto o processo permite a recuperação dos metais das placas para revenda. Os metais pesados das baterias, que são totalmente controlado pelo governo, também são reutilizados, explicou o empresário.

O grande investimento feito pela GM&C foi, de fato, no desenvolvimento de um programa de computador, suportado na Internet, que permite coordenar as coletas nos país inteiro e entregar o material para as recicladoras.

O sistema permite o envio do coletor a qualquer ponto de venda de um operadora que já encheu um depósito, além de controlar o volume coletado, pré-processado e entregue às empresas recicladoras, pois as baterias, tendo metais pesados com o lítio e cadmio, são controlados.

Por isso, a empresa teve que também investir no treinamento dos funcionários para triar e lidar com este material. Além disso, é preciso fazer auditoria no processo para garantir a segurança.

Mesmo com este esforço, o mercado é ainda incipiente, pois apenas 2% de todos os celulares descartados são reciclados. Este é um mercado em franca expansão, pois já existem mais de 130 milhões de aparelhos celulares ativados no Brasil, um crescimento anual de mais de 20%.

Oliveira diz que esta expansão aponta para o crescimento de seu serviço de logística reversa e que alguns vão deixar de exportar o material. Segundo ele, a motivação hoje está além da obrigação legal, já que as empresas estão começando a incorporar a questão ambiental nas suas políticas e já perceberam as vantagens da reciclagem.


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