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Lições do Brasil como bagagem para discutir a água no mundo

por Alexandre Spatuzzaúltima modificação 22-10-2008 14:01:00

Após mais de duas décadas cobrindo o Brasil, sua economia e Amazônia, o correspondente norte-americano Bill Hinchberger iniciou em outubro um novo desafio como diretor de Relações Externas e Comunicação do Conselho Mundial de Água (WWC, em inglês): botar a questão do uso racional e a distribuição equânime da água.

Desde 1986, quando Hinchberger começou a trabalhar como correspondente no Brasil, ele viu mudanças quase que radicais na percepção dos brasileiros sobre o meio-ambiente, o que o faz encarar realisticamente o desafio que vai ter desde os escritórios do WWC na cidade portuária de Marselha, no sul da França.

"Não sou otimista, diria que sou realista," autodefiniu-se o jornalista, que contribuiu para veículos  como o Financial Times de Londres, a revista estadounidense Businessweek e outras publicações como AD News e Institutional Investor.

Hinchberger explicou que o Brasil, por conter a maior reserva de água potável do mundo, é uma prioridade para a entidade multilateral que tem como membros pessoas jurídicas do país. A missão de Hinchberger não é apenas promover novas afiliações mas também botar na pauta dos jornalistas do mundo inteiro a discussão sobre o acesso à água.

"Se no Sudeste do Brasil o problema é desperdício e acesso a saneamento básico, no Nordeste existe um problema de seca e de acesso básico à água", lembrou.

A experiência que Hinchberger espera levar para os fóruns internacionais de discussão é de uma pessoa que chegou ao Brasil com uma consciência e viu a consciência dos seu conterrâneos adotivos aumentar, principalmente após a conferência Rio 92 e a criação de entidades como SOS Mata Atlântica, o surgimento da indústria do ecoturismo e o início de uma efetiva implantação do projeto, ainda incompleto, de despoluição do Rio Tietê em São Paulo.

"A mobilização em torno do Rio Tietê foi muito importante, e pelo menos conseguiram pressionar os políticos a agir", explicou. "A questão saiu de uma esfera tangencial para tornar-se uma questão central, mesmo porque tinha um grave problema de enchentes na cidade".

A experiência internacional de um correspondente morando em qualquer país o permite fazer comparações entre os hábitos e as metas de uma certa sociedade.

Hoje, Hinchberger está convencido que o debate sobre a água e meio ambiente passa pelos padrões de consumo da sociedade ocidental moderna.

"Precisamos consumir mais para podermos atingir uma qualidade de vida?", questionou. "Acho que não é assim."

Segundo ele, a educação ambiental passa por estes questionamentos, permitindo que as novas gerações possam ponderar como fazer as mudanças necessárias.

Além de aprender a falar francês, e possivelmente árabe, para se virar em Marselha, o primeiro desafio vai se dar ainda entre os dias 24 e 25 de novembro quando Hinchberger vai participar ativamente do congresso, em Foz do Iguaçu, do Fórum das Águas das Américas.

O tema "Superando os divisores de água' vai buscar contribuições para o 5º Fórum Mundial da Água que acontecerá em Istambul, Turquia, em março de 2009.

"Estima-se que mais de 2.000 pessoas participem em Istambul, o que deve ser um desafio e tanto", disse.

 

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