CDHU se prepara para instalar aquecedor solar em 48.000 unidades
A Companhia de Habitação e Urbanismo do Estado de São Paulo (CDHU) vai implantar sistemas de aquecimento solar nas 48.000 unidades que planeja construir nos próximo 18 meses após comprovação de economia tanto no custo de construção quanto para o mutuário final, o secretário de qualidade na construção da CDHU, Rafael Pileggi, disse à Revista Sustentabilidade.
A redução no custo de construção vem da necessidade de uma rede de eletricidade interna das unidades com menor capacidade, pois o chuveiro a ser usado terá menor potência.
Para o mutuário, os ganhos vêm do custo menor do próprio chuveiro elétrico instalado e de uma conta de eletricidade mais baixa, por causa do menor consumo.
"Sem o aquecedor solar o sistema elétrico é dimensionado para um chuveiro de 5.000Watts (W), usando cabos mais potentes, chaves de contatos e relays apropriados para esta potência", explicou. "Com aquecedor solar o chuveiro instalado pode ter até 2.000W de potência".
A CDHU deve instalar os sistemas nas primeiras 1.000 unidades verticais em São José dos Campos, em parceria com a prefeitura da cidade e a Associação dos Fabricantes de Equipamentos de Aquecedores Solares (Abrava).
O sistema deve aquecer a água em aquecedores centrais de cada prédio até cerca de 40 graus Celsius, a mesma temperatura em que deve chegar aos apartamentos. Para ter a água mais quente ou em dias sem sol o mutuário acionará o chuveiro elétrico na sua residência.
Os testes de equipamentos e materiais já tinham sido feitos em casas na cidade de Cassilândia durante um ano e oito meses. Adaptações foram feitas para reduzir de quatro para dois o número de painéis captadores da energia solar para uso no projeto de São José.
O sistema é dimensionado para uma família de quatro a cinco pessoas, a tamanho médio de uma família mutuária da CDHU.
"Imagine cinco banhos por dia? O maior vilão na energia elétrica é certamente o chuveiro para o nosso mutuário", explicou Pileggi.
Segundo testes da CDHU, o mutuário poderá comprar um chuveiro até 80% mais barato e sua conta de luz sofrerá uma redução entre 30% e 40%.
OUTRAS MEDIDAS
As pequisas da Abrava e dos próprios fabricantes devem continuar a buscar meios de fazer os equipamentos mais eficientes e reduzir seu custo.
"Eles tratem de reduzir o preço porque a concorrência vai ser brava", advertiu Pileggi.
O acordo com a Abrava também garante a manutenção e fornecimento de peças para os sistemas, disse Pileggi.
Além da implantação do aquecer solar, a CDHU está também se preparando para instalar medidores individualizados de água, o que deve ser um incentivo para o mutuário reduzir o consumo de água, disse o executivo.
Apesar da CDHU estar preocupada em melhorar a vida do mutuário, para ela também é importante economicamente, pois a redução no consumo de energia e água garante que se possa pagar uma prestação maior sem reduzir a qualidade de vida, explicou Pileggi.
Um dos projetos que a CDHU está pesquisando em parceria com empresas e universidades é a redução dos gastos comuns como a troca de timers nos corredores por censores para acenderem as lâmpada. Além disso, a empresa estuda projetos de conectividade total dos conjuntos com sistemas sem fio que permitem monitoramento a distância e acesso à Internet através da rede elétrica.
"Um micro em cada casa ficaria muito bem", disse Pileggi sem dar detalhes. "O futuro é ter cada conjunto habitacional com ligação a um poupa tempo".
A CDHU também trabalha com estudos de reuso de água de chuva, inicialmente para lavagem de pátio, calçadas e regar jardins.
Pileggi entretanto não disse quando seriam implementados estes novos avanços.