Consultoria incubada que promove uso racional de água chama atenção de investidores
Como uma ave prestes a sair do ninho, a Sharewater, empresa incubada pela USP que oferece soluções de engenharia e gestão que economizam até 30% na conta de água, está avaliando propostas de investidores novos para montar uma sede própria, o sócio e diretor comercial, Diogo de Almeida, explicou à Revista Sustentabilidade.
Durante os quase três anos de incubação no Centro Incubador de Empresas Tecnológicas (Cietec), os sócios da Sharewater aplicaram e aprimoraram técnicas aprendidas durante trabalho no Programa de Uso Racional de Água (Pura) que, atendendo a própria USP, ajudou a entidade a economizar R$ 100 milhões em contas de água em 10 anos.
"Na época [da criação da empresa] éramos estudantes de engenharia", lembrou Almeida. "Estudávamos na própria universidade e trabalhávamos na parte técnica do Pura da USP. Em 2005 percebemos que podíamos aplicar o que fazíamos dentro do programa da USP para qualquer tipo de edificação".
Individualização de medidores, captação de água de chuva, dispositivos economizadores para torneiras são algumas das alternativas oferecidas pela Shareware, cujos clientes incluem construtoras, incorporadoras, condomínios, indústrias e até as próprias empresas de saneamento.
A experiência adquirida no Pura levou os cinco sócios da empresa a proporem inovações para baratear o próprio programa, como a substituição de equipamentos importados por outros desenvolvidos por eles próprios, vantagem que ajudou na elaboração do plano de negócios da Sharewater.
"Vislumbramos a possibilidade de entrar no Cietec porque tínhamos um serviço inovador a oferecer que também poderia desenvolver sistemas de telemetria e softwares inovadores de gestão de consumo", disse.
Hoje, o desenvolvimento dos equipamentos é constante porque a empresa possui sistemas prontos mas que são adaptados de acordo com a necessidade de cada cliente.
"Na indústria é muito comum a medição do consumo efetivo, onde entram exatamente estes equipamentos que utilizamos", disse Almeida. "Mas para outros clientes, isto não se aplica muito, e então vamos direto para o foco em um serviço mais específico".
Um dos pontos fortes de demanda para Shareware é a aplicação de conceito de reuso de água, que nas indústrias está se tornando estratégico, pois além de reduzir a demanda de água do sistema, também reduz os efluentes, que são tratados e reutilizados.
Mas uma parte significante da demanda está vindo da construção civil e condomínios recém-lançados que querem reduzir o consumo de água implantando sistemas de captação de água de chuva.
Antes de implantar o sistema, a Sharewater avalia se é viável, pois, em geral, o aproveitamento da água de chuva necessita de uma área de captação de mais de 1000 m².
"Normalmente estas áreas são pequenas e o consumo de água não-potável é baixo, e aí o retorno no investimento não é muito grande", explicou Almeida. "Quando você vai para cliente corporativo, uma indústria, um shopping center, as áreas de cobertura são bem maiores e o uso é maior também, o que justifica a implantação de um sistema de captação de água da chuva".
Almeida ressalta que o custo para implantar um sistema de captação de água de chuva é mais caro em prédios já existentes e explica a diferença entre novos e antigos empreendimentos, que acabam optando por outros sistemas, como a instalação de produtos economizadores e troca de equipamentos.
Para edifícios de até cinco anos, a empresa indica a individualização na medição do consumo, e para edifícios mais antigos, dispositivos economizadores nas torneiras, a troca do vaso sanitário, ou da válvula de regulagem que também geram economias significativas compatíveis com o custo, que também tem custo inferior em relação outros sistemas.
A economia de cada sistema citado varia entre 10% e 50% para os dispositivos economizadores, 25% para a individualização dos medidores e 10% para captação de água da chuva.
"O aproveitamento de água de chuva é o mais variável porque depende do uso desta água no edifício" disse. "Num edifício residencial não chega a 10% porque só é usada para limpar as áreas em comum [como jardins e quintais]. Agora para clientes industriais pode atingir uma economia de 30% ou mais na conta de água".
Outro foco da Sharewater são as concessionárias de água. Com o crescimento vertical das cidades, o consumo de água aumenta, exigindo um monitoramento mais preciso, que permita encontrar as anomalias com mais agilidade e menor custo.
O retorno do investimento é medido pela própria economia. Por exemplo, um edifício pode investir R$ 10 mil para instalar cem dispositivos economizadores, mas paga de acordo com a economia dele, portanto se no mês ele economizar R$ 3 mil, paga-se este valor até quitar a dívida.
A partir daí a economia é real, sobrando mais para outras atividades, pagando apenas um fixo mensal de manutenção e gestão da água para garantir que a economia continue.
Para serviço hidráulico ou de reuso para clientes corporativos ou para construtoras em edifícios novos, cobra-se pelo serviço.
O brasileiro ainda não aprendeu a conviver com seus rios
Questão de valor
O que está em jogo aqui não é só o valor da conta de água no fim do mês, mas o quando valorizamos o bem mais precioso que Deus nos deu...a ÁGUA!