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O brasileiro ainda não aprendeu a conviver com seus rios

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Não passa semana sem que as manchetes da imprensa tragam calamidades ligadas ao mau uso dos recursos hídricos. Ou são estiagens devastadoras ou enchentes catastróficas.

Ambas com conseqüências graves para a economia e o desenvolvimento, com perdas de patrimônio e vidas. Na raiz das conseqüências dessas intempéries está a falta de conhecimento e a má convivência dos brasileiros com seus rios.

Agora que se aproxima o Dia Mundial da Água – cujo tema este ano enfatiza a importância de serviços adequados de coleta e tratamento de esgoto - é bom lembrar que eles foram vias importantes para a construção do país e que são mananciais de abastecimento, insumo e irrigação. Hoje se assemelham a cloacas e depósitos de lixo.

As lições mais elementares de um passado glorioso foram deixadas de lado. As cidades viraram as costas aos rios que as banham. Derrubaram suas matas ciliares e povoaram suas margens com loteamentos irregulares, plantações, lixões e captações que ultrapassam sua capacidade de sobrevivência. Não contentes despejam neles, sem tratamento, os esgotos domésticos e industriais confiando em que a correnteza os levará para longe. Só que hoje o longe é a cidade vizinha.

Compreender como se processa o ciclo da água deveria ser a lição mais elementar a ser aprendida pelos administradores públicos. Não são a chuva - ou a falta dela - e a enchente que causam catástrofes. Elas são fenômenos naturais que se deve compreender e com os quais é preciso conviver. As áreas de inundação dos rios são repositórios que vão ajudar a alimentar o manancial na época da seca. Ocupar e desmatar essas áreas, ou transformá-las em depósito de lixo, é procedimento de risco. A quem faz ou permite que isto aconteça é que deve ser debitada a conta das perdas econômicas e humanas. E não ao rio ou à chuva como se costuma dizer por aqui.

Por isto ênfase à ampliação do tratamento de esgoto e condições para que se estabeleça plenamente a gestão das águas são condições essenciais para diminuir as conseqüências nefastas de fenômeno naturais como chuvas abundantes ou estiagens. Se os Comitês realizarem adequadamente seu trabalho as bacias hidrográficas do Brasil poderão continuar sendo fonte de fartura e progresso e não a ameaça às cidades e seus cidadãos em que se transformaram hoje.

*Cecy Oliveira, editora da Revista Aguaonline (www.aguaonline.com.br).

por Cecy Oliveira*última modificação 24-03-2008 13:37:00

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