Estudo do uso eficiente dos resíduos da biomassa nas indústrias de Cerâmica Vermelha da Região do Cariri
As indústrias de cerâmica vermelha da região do Cariri – CE utilizam como combustível o carvão vegetal ou a lenha propriamente dita, encontrado em abundância nessa região a um baixo custo, é a principal fonte energética para as cerâmicas. O rendimento do carvão no processo de queima é feita com baixíssima eficiência, porque no carvoejamento tradicional, a energia original é perdida para a atmosfera sob a forma de gases e voláteis, além de tudo, esse sistema acarreta em um grande problema ambiental: os desmatamentos.
Em sistemas operacionais que necessitam de consumo energético proveniente de fontes petrolíferas, aumentam o índice de emissões de gases que prejudicam diretamente a manta de ozônio que envolve o planeta, elevando a temperatura, ocasionam catástrofes ambientais incontroláveis, provenientes da ação do homem sobre o meio ambiente, modificando os ciclos de vida dos seres terrestres.
Uma alternativa para minimizar esses problemas, será o investimento na elaboração de novos estudos voltados para fontes de energia alternativa. Essas fontes estão distribuídas de acordo com os recursos naturais de cada região, podendo transmitir energia eólica através dos ventos, energia solar proveniente do sol ou a energia do extrativismo vegetal aliado à tecnologia, através do biodiesel e da biomassa.
A constante procura para diminuir os gastos com combustíveis oriundos da mata nativa, os ceramistas da região do Cariri cedem espaço para estudos voltados ao tema, com o intuito de introduzir um novo sistema de alimentação para a queima dos produtos cerâmicos em épocas variadas de acordo com cultura aplicada.
Empresas que utilizam o processo da biomassa aliado à tecnologia possuem um amplo grau de evolução nos aspectos econômicos, ambientais e sociais, gerando mais empregos, menor custo na produção e desenvolvimento de projetos ambientais.
Palavras-chave: Biomassa; Cerâmica
1. INTRODUÇÃO
Na atual conjuntura, muitas das empresas do setor industrial aderem a sistemas operacionais que necessitam de consumo energético proveniente de fontes petrolíferas, que abrangem desde os equipamentos produtivos aos combustíveis usados para o desenvolvimento do processo. Com isso, aumenta o índice de emissões de gases que prejudicam diretamente a manta de ozônio que envolve o planeta, que se comporta como uma estufa mantendo a temperatura da Terra constante, protegendo-a contra os raios ultravioleta emitidos pelo sol. Alterações na escala de temperatura terrestre ocasionam catástrofes ambientais incontroláveis, provenientes da ação do homem sobre o meio ambiente, modificando os ciclos de vida dos seres terrestres.
Uma alternativa para minimizar esses problemas, será o investimento na elaboração de novos estudos voltados para fontes de energia alternativa. Essas fontes estão distribuídas de acordo com os recursos naturais de cada região, podendo transmitir energia eólica através dos ventos, energia solar proveniente do sol ou a energia do extrativismo vegetal aliado à tecnologia, através do biodiesel e da biomassa.
As indústrias de cerâmica vermelha da região do Cariri – CE utilizam como combustível o carvão vegetal ou a lenha propriamente dita, encontrado em abundância nessa região a um baixo custo, é a principal fonte energética para as cerâmicas. O rendimento do carvão no processo de queima é feita com baixíssima eficiência, porque no carvoejamento tradicional, a energia original é perdida para a atmosfera sob a forma de gases e voláteis, além de tudo, esse sistema acarreta em um grande problema ambiental: os desmatamentos.
A contínua extração de madeira da Floresta Nacional do Araripe aumenta proporcionalmente de acordo com a expansão das indústrias de cerâmica na região, trazendo conseqüências drásticas ao meio ambiente, elevando o índice de espécies em extinção e diminuindo as fontes de águas naturais do vale caririense.
2. ESTUDO DA ARTE
O conceito da Conservação de Energia ou do uso eficiente da energia surgiu de forma fortalecida a partir da crise do petróleo nos anos 70. A súbita elevação dos preços do petróleo gerou enorme instabilidade e desequilíbrios na economia mundial e, o Brasil, que dependia bastante deste energético, em muito foi afetado. Foi então nesta época que se iniciaram no mundo todo, inúmeras ações e programas para se utilizar à energia de forma eficiente, ou seja, sem desperdícios, de forma inteligente, com novas técnicas e processos mais eficientes (GOLDEMBERG, 1998).
Atualmente, várias tecnologias de aproveitamento estão em fase de desenvolvimento e aplicação. Mesmo assim, estimativa da Agência Internacional de Energia (AIE) indicam que, futuramente, a biomassa ocupará uma menor proporção na matriz energética mundial – cerca de 11% em 2020 (AIE, 1998). Outros estudos indicam que, ao contrário da visão geral que se tem, o uso da biomassa deverá se manter estável ou até mesmo aumentar, por duas razões a saber: i) crescimento populacional; ii) urbanização e melhoria nos padrões de vida (HALL; HOUSE; SCRASE, 2000).
No cenário competitivo dos tempos atuais, as empresas têm buscado em cada inovação produtiva, tecnologias avançadas com o intuito de reduzir seus custos e obter melhor qualidade nos bens produzidos. No entanto, esses sistemas produtivos são constituídos de equipamentos que necessitam de fontes geradoras de energia baseadas em combustíveis fósseis, formados pela energia solar acumulada nos hidratos de Carbono das plantas e de animais microscópicos, num processo que demanda centena de milhões de anos, são, por natureza, finitos. Entre os tipos de combustíveis fósseis podemos citar:
· Óleo Combustível - BPF (Baixo Ponto de Fluidez)
· Gás Liquefeito de Petróleo - GLP
· Coque de Petróleo
· Gás Natural
A oferta de energia no Brasil vem dando espaço cada vez mais para os produtos da cana-de-açúcar, que ao longo do tempo, acompanha a evolução das fontes de energia hidráulica e dos derivados do petróleo, observe o quadro de oferta de energia no país até o ano 2000:

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Fonte: Balanço Energético Nacional – MME |
O gráfico acima representa a distribuição de energia de acordo com suas fontes geradoras. Analisando os índices, três dessas fontes se destacam pelo crescimento gradativo ao longo do tempo: o petróleo e o GN (Gás Natural), que em 1940 encontrava-se com 6,10% de toda a energia fornecida no país, a qual era liderada pela lenha e o carvão, com ascensão das máquinas movidas a vapor em conseqüência da Revolução Industrial. Trinta anos depois, já se encontrava com 33,30% do fornecimento total de energia, disputando diretamente com o extrativismo vegetal em destaque. Junto com o petróleo, a hidráulica cresceu consideravelmente até o ano 2000, que passou a liderar o gráfico de distribuição de energia, e os produtos da cana-de-açúcar (um dos combustíveis da biomassa), objeto este de maior enfoque no estudo.
Fazendo um comparativo nos aspectos técnicos, econômicos, ambientais e sociais entre a biomassa e o petróleo e GN, podemos observar a eficiência desta fonte de energia alternativa:
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ASPECTOS TÉCNICOS |
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BIOMASSA |
PETROLEO E GN |
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· Heterogêneo: Forma e Composição. · Automatização/Controles mais difíceis · Uso de mão-de-obra · Maior variação na queima · Umidade: Maior consumo · Produção de cinzas · Baixo risco de acidentes
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· Homogêneo · Automatização/Controles mais fáceis · Pouco ou nenhum uso de mão-de-obra · Menor variação na queima · Praticamente sem umidade · Inexistência de cinzas · Maior risco de acidentes
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ASPECTOS ECONÔMICOS |
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BIOMASSA |
PETROLEO E GN |
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· Mais barato · Preço definido pelo mercado regional · Menos vulnerável às mudanças macro-econômicas · Reposição Florestal, Administração de Projetos (Manejos, Fretes, Reflorestamentos, etc.)
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· Mais caro · Preço depende do mercado externo · Mais vulnerável às mudanças macro-econômicas · Maiores produtores em áreas de permanente conflito
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ASPECTOS AMBIENTAIS |
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BIOMASSA |
PETROLEO E GN |
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· É Renovável · Retira CO2 da atmosfera · Produção de cinzas · Leis de proteção mais severas - Origem · Imagem ecologicamente positiva para a empresa
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· É Finito · Somente emite CO2 · Inexistência de cinzas · Controles rígidos das emissões de enxofre, CO e CO2 · Desastres e acidentes ambientais
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ASPECTOS SOCIAIS |
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BIOMASSA |
PETROLEO E GN |
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· Emprega a mão-de-obra local intensivamente · Empregos de menores requisitos de qualificação · Gera mais empregos em relação ao investimento · Estreita relação com a agricultura e agroindústria · Recursos ficam na região
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· Utiliza pouca ou nenhuma mão-de-obra na queima · Cada emprego gerado custa altos investimentos · Produtores são grandes empresas globais · Recursos não ficam na região
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Diante do exposto, fica evidente que empresas que utilizam o processo da biomassa aliado à tecnologia, possuem um amplo grau de evolução nos aspectos mencionados acima, destacando-se os econômicos, ambientais e sociais, gerando mais empregos, menor custo na produção e desenvolvimento de projetos ambientais.
3. RESULTADOS
A constante procura para diminuir os gastos com combustíveis oriundos da mata nativa, os ceramistas da região do Cariri cedem espaço para estudos voltados ao tema, com o intuito de introduzir um novo sistema de alimentação para a queima dos produtos cerâmicos em épocas variadas de acordo com cultura aplicada.
Atualmente, o recurso de maior potencial para geração de energia elétrica no país é o bagaço de cana-de-açúcar. A alta produtividade alcançada pela lavoura canavieira, acrescida de ganhos sucessivos nos processos de transformação da biomassa sucroalcooleira, tem disponibilizado enorme quantidade de matéria orgânica sob a forma de bagaço nas usinas e destilaria de cana-de-açúcar, interligadas aos principais sistemas elétricos, que atendem a grandes centros de consumo dos Estados das regiões Sul e Sudeste. Além disso, o período de colheita de cana-de-açúcar coincide com o de estiagem das principais bacias hidrográficas do parque hidrelétrico brasileiro, tornando a opção mais vantajosa.
Uma rotatividade da exploração dos recursos da biomassa existentes em várias culturas de plantio da região do cariri proporcionará uma redução dos custos com os combustíveis que alimentam as indústrias de cerâmica. Esses recursos são constituídos por matérias orgânicas, onde se destacam de acordo com o seu cultivo a casca de arroz, o bagaço-de-cana e os resíduos florestais, os quais serão obtidos diretamente com agricultores, produtores de cana-de-açúcar e abrirá as portas para geração de empregos para coleta dos resíduos florestais. Por meio de contratos entre as indústrias e esses trabalhadores do campo, facilitará o desenvolvimento sustentável da região com a participação de todos.
4.
CONCLUSÃO
O uso inteligente e racional da biomassa traz consequências que podem ser observadas durante a implantação desse sistema no setor industrial, implementando-lhe na indústria cerâmica, podemos analisar que haverá uma redução dos custos com lenha e com a da mão-de-obra assalariada, no que diz respeito ao ecossistema natural, esse só tem a ganhar, pois a biomassa trata de um sistema que consiste em preservar a natureza e utilizar somente os seus resíduos orgânicos (de origem animal ou vegetal) para a produção de energia.
Além de ambientalmente favorável, o aproveitamento energético e racional da biomassa tende a promover o desenvolvimento de regiões menos favorecidas economicamente, por meio da criação de empregos e geração de receita em função da disponibilidade dos recursos existentes na região do Cariri.
AGRADECIMENTOS
À Faculdade de Tecnologia Centec, ao Dep. de Eletromecânica e aos Professores Alexandre Magno Diniz e Vilma Maria Sudério Araújo.
REFERÊNCIAS
GOLDEMBERG, J.
Energia, meio ambiente e desenvolvimento. São Paulo: Editora da Universidade de
São Paulo – Edusp, 1998, 234p.
ALENCAR, J.M. Combustíveis Alternativos para Indústria de Cerâmica Vermelha. Maceió, 2004.
MME – Distribuição
de Energia no Brasil – Balanço Energético Nacional. Brasília – DF. Ministério
de Minas e Energia, 2000.
AGÊNCIA
INTERNACIONAL DE ENERGIA (AIE). Coal
Industry Advisory Board: CIAB. Disponível em:
<www.iea-coal.org.uk>. Acesso em: 10 mar. 2002.
HALL, D. O.; HOUSE, J. I.; SCRASE, I. Overview of biomass energy. In: ROSILLO-CALLE, F.; BAJAY, S. V.; ROTHMAN, H. Industrial uses of biomass energy:
the example of Brazil. London: Taylor & Francis, 2000. cap. 1.
Petrônio Vieira Silva - Faculdade de Tecnologia Centec, Departamento de Tecnologia em Eletromecânica
Email: petronnium@oi.com.br