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Eficiência Energética – Nossa Segunda Independência

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O que sustentabilidade tem a ver com energia e a nossa independência? São três coisas totalmente diferentes ou são três coisas intimamente relacionadas? No decorrer deste humilde comentário vou tentar apresentar os argumentos que criaram em mim a forte convicção de que estes três conceitos têm uma relação profunda, e mais, explicar como todos somos os responsáveis para fazer que esta relação seja altamente positiva.

Esta relação não vai nos apresentar resultados hoje para desfrutar deles amanhã. Ela deve sim começar hoje, para amadurecer no amanhã e apresentar depois do amanhã resultados duradouros, para que nossas gerações deixem frutos de grande valia em beneficio das gerações vindouras.

Porque independência, se nossa independência já foi proclamada?

Foi proclamada numa época em que a dependência econômica era resultado da dependência política de nossos povos com os poderes da Península Ibérica. Hoje parece que a relação se inverteu, ou seja, a dependência política está subserviente à ordem econômica mundial. Talvez esta subserviência não seja mais aos poderes econômicos da península, mas aos poderes de quem controla o fornecimento de energia para todas nossas atividades.

Isto não indica só um poder estrangeiro, mas sim qualquer organização, seja ela governamental ou não, que detenha o  controle das fontes de energia, sua distribuição e seu despacho para aqueles que dela se valem para desenvolver suas atividades.

E é aqui que se encaixa o terceiro conceito mencionado inicialmente: a sustentabilidade. Porque cada vez mais vamos impactar o meio ambiente, sempre que precisemos de energia, seja com a sua extração, produção, transporte ou uso final. Além disso, temos que fazer com que todas estas atividades apresentem resultados positivos não só econômicos, mas também sociais - o chamado princípio da responsabilidade social.

E assim, a sustentabilidade energética é importante para podermos buscar esta independência, principalmente nos dias de hoje em que está na "crista da onda" a ameaça o "apagão".

Mas pergunto: é possível que no Brasil alguém possa aceitar que falte energia?

Com todas as benesses que tem o território nacional, de caráter continental, não podemos aceitar que possa faltar energia para vivermos, crescermos e desenvolver-nos.

Temos, no entanto, que garantir que o meio ambiente seja prejudicado o mínimo possível e por isso melhorar imediatamente a eficiência na geração, transmissão, distribuição e utilização de todos os tipos de energia dos quais hoje fazemos uso em todas as nossas atividades corriqueiras. Portanto, temos que ser os donos conscientes e zelosos de todos estes recursos que a natureza colocou ao nosso alcance com tamanha facilidade.

É aqui onde devemos utilizar aquilo que nós, humanos, temos diferente das outras espécies que povoam este globo: a capacidade de pensar, raciocinar e superar problemas.

Não enfrentamos os problemas que as nações localizadas em territórios frios enfrentam, tampouco aqueles das nações que têm pequenos territórios e muito menos os das nações de clima desértico. Ao contrário, temos todos os recursos necessários para o pleno e total desenvolvimento.

Antes de pensar em investir nossos recursos financeiros devemos utilizar todos nossos recursos intelectuais para otimizar a eficiência energética em todos seus aspectos. É neste ponto que nasce o meu convencimento na relação inicial.

Como engenheiro, toda minha orientação foi sempre dirigida para a otimização no uso da energia disponível. Sempre tive consciência que sem energia suficiente meu navio não conseguiria chegar ao seu destino nem voltar ao porto. E a tripulação tinha o direito de regressar a seus lares.

Em 1978 quando tivemos o chamado "segundo choque" do petróleo, o antigo Conselho Nacional do Petróleo determinou algumas medidas para controlar o consumo de derivados deste. Uma delas era o preenchimento de um relatório detalhado da utilização de energia em todas as atividades produtivas.

Sem discutir como foi utilizado o relatório pelas autoridades, posso dizer que o levantamento de consumo de energia na indústria na qual desenvolvia minhas atividades profissionais me fez vislumbrar com muita clareza que um projeto de geração de vapor poderia substituir equipamentos instalados nas décadas de 50 e 60.

Além da troca dos equipamentos também vi a possibilidade de racionalizar o sistema de distribuição de vapor, da mesma época, que tinha uma extensão de 12.500 m (sim, 12,5 Km) dentro da fábrica. No final, tudo foi trocado por três pequenos conjuntos geradores de vapor para uso industrial, instalados bem perto das unidades industriais usuárias, gerando uma economia de combustível de 50% e, conseqüentemente, um retorno do investimento em 18 meses.

A partir deste ponto foi dada a largada a uma corrida por idéias que geraram muitas outras ações para racionalização do uso de energia, otimizando a produtividade. As medidas iniciais não demandaram investimento mas geraram economias tão notórias que todas as pessoas perceberam a importância de sua participação nos programas. Estas medidas poderiam ser chamadas de conservação, reaproveitamento, racionalização, economia ou qualquer outro nome, porém em termos mais amplos são simplesmente formas de administrar a energia, recurso às vezes renovável e outras não.

Assim como naquela indústria, os programas de administração de energia geraram lucros somente pensando e sem grandes investimentos. Isso demonstra que cabe a nós refletir sobre todas as formas possíveis de melhorar a administração da energia, em todas a suas etapas, desde a sua geração até a sua disposição final pelo usuário, seja ele residencial ou empresarial.

Portanto a administração sustentável dos nossos recursos energéticos, tanto na geração quanto no consumo, é o caminho para nossa independência, pois sabemos que sem eficiência no uso da energia nunca vamos poder gerar energia suficiente para o nosso pleno desenvolvimento.

*Álvaro Vazquez, engenheiro mecânico eletricista especializado em administração da manutenção com experiência de 30 anos na indústria em geral, incluindo os setores químico, aeronáutico e metalúrgico.

por Álvaro Vazquezúltima modificação 23-06-2008 12:31:00

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