Consumo de água nos canteiros
A preocupação com a escassez de água acirrou-se apenas no final do século 20, quando as modificações climáticas passaram a preocupar os cientistas. A partir daí alguns setores produtivos adotaram medidas visando à racionalização no consumo de água. Na Construção Civil não foi diferente, e as primeiras ações sobre a necessidade de construções com menor impacto sobre o meio ambiente iniciaram-se, surgindo investigações para diminuir o consumo na fabricação de materiais e na construção de prédios e, mesmo, para melhorar a gestão dos resíduos.
Nos Estados Unidos, o movimento organizou-se e foi criado o Conselho Nacional de Construções Verdes (United States Green Building Council - USGBC), órgão regulamentador das normas de construção no país e certificador das obras que atendam às normas no mundo inteiro. Na China, as noções de desenvolvimento sustentável também ganharam ares mais oficiais na última década.
No Brasil há iniciativas interessantes; como por exemplo, a criação em agosto de 2007, do CBCS – Conselho Brasileiro de Construção Sustentável, que tem como um dos objetivos, otimizar o uso dos recursos naturais. Entretanto, as iniciativas ainda são muito tímidas, tendo em vista que o Brasil é o país com a maior disponibilidade de água do planeta, cerca de 12% da água potável do globo.
Além disso, as poucas ações existentes estão relacionadas com o edifício em operação e pouco se fala no edifício em construção, embora o custo com o consumo de água no edifício em construção represente 0,7% do custo total da obra, de acordo com as pesquisas realizadas nas construtoras entrevistadas.
DEMANDA POR ÁGUA NA CONSTRUÇÃO DE EDIFÍCIOS
Na construção de edifícios, como em outros tipos de obras, a água é um elemento importante, sendo essencial para o consumo humano e indispensável na execução de alguns serviços.
No canteiro de obras a utilização da água para as necessidades humanas está relacionada, basicamente, às demandas essenciais dos funcionários do canteiro e estas são preservadas de acordo com a legislação trabalhista.
Em linhas gerais, estima-se que o consumo diário por operário não alojado chega a 45 litros por dia, não estando inclusa a refeição. No caso da refeição ser preparada na obra, este número passa para 65 litros por dia.
Já nos serviços de construção civil, embora a água não seja vista e nem tratada como material de construção, o consumo é bastante elevado, por exemplo, para a confecção de um metro cúbico de concreto, gasta-se em média de 160 a 200 litros e, na compactação de um metro cúbico de aterro, podem ser consumidos até 300 litros de água.
Com base nisso, foram analisados os consumos de água em 3 obras com tipologias diferentes e construtoras com participações de mercado e organizações internas bastante distintas, gerando os indicadores apresentados na tabela a seguir:
Tabela 1 – Análise geral dos resultados
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Construtoras |
Área Construída (m²) |
Consumo mensal (m³/mês) |
Consumo por m² (m³/m²) |
Consumo de água por Hh (m³/Hh) |
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Construtora A (grande porte)
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120.000 |
2.234 |
0,68 |
0,0142 |
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Construtora B (porte médio)
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5.100 |
107 |
0,44 |
0,0099
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Construtora C (pequeno porte)
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4.200 |
69 |
0,37 |
0,0105 |
Avaliando os indicadores apresentados, verifica-se que tanto o indicador de consumo mensal de água (m³/mês), quanto o indicador de consumo de água por área construída (m³/m²), apresentaram valores significativos, mesmo com variações entre as obras, isto porque há diferenças nas tipologias de cada uma delas, por exemplo, o tamanho das obras e as características construtivas, além disso a obra da Construtora A e B são mais complexas que a da Construtora C.
Já, na analisando o indicador de consumo de água por Homem hora (m³/Hh) verifica-se que este apresentou um resultado comparativo satisfatório, pois os valores não variaram muito de obra para obra apesar destas possuírem características construtivas bastante distintas. Isto ocorreu, pois o indicador de consumo de água por Homem hora está fundamentado na idéia de que a quantidade de serviços executados e a quantidade de pessoas na obra estão intrinsecamente relacionadas, ou seja, na medida em que se aumentam os serviços na obra, a quantidade de pessoas para executá-los também aumenta e, consequentemente, o consumo de água. Portanto, entende-se que este indicador poderia ser utilizado na estimativa de consumo de água para outras obras.
Através dos estudos realizados, verificou-se que a água é um recurso natural importante para as obras de construção civil, tendo em vista que é primordial nos principais serviços da obra e para o consumo humano.
Além disso a pesquisa permitiu identificar as etapas construtivas que consomem mais água, conforme gráfico abaixo, que apresenta o consumo de água ao longo de todo o período de execução da obra e as respectivas etapas construtivas.
Gráfico 1 - Consumo mensal de água confrontado com as etapas construtivas na obra da Construtora B
Analisando o gráfico, pode-se observar alguns pontos importantes, como:
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elevação do consumo de água na obra se eleva na fase de fundação;
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o pico de consumo ocorrido no mês de Junho, que elevou o consumo de água para mais de 400 m³, provavelmente foi em função dos testes de impermeabilização e dos testes nas instalações hidráulicas ocorridos neste mês;
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no último mês, embora a quantidade de serviços e de pessoas tenha reduzido consideravelmente, o consumo de água cresceu, isto devido às limpezas realizadas na obra, para entrega dos apartamentos.
MEDIDAS PARA REDUÇÃO DO CONSUMO DE ÁGUA NAS OBRAS
A relevância do consumo de água na construção de empreendimentos apontab para a necessidade de se implantar Programas para Economia de Água nos Canteiros este poderia prever diversas ações, visando à redução do consumo de água nos canteiros de obra, tais como:
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utilização de torneiras com acionamento e desligamento automático;
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instalação de temporizadores nos chuveiros, determinando o tempo de banho;
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utilização de água da chuva para descargas, limpeza da obra e etc;
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estudos para utilização de fontes alternativas de água para consumo em serviços de construção civil. Por exemplo, utilização de água da chuva na cura do concreto ou dosagem de argamassas;
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palestras para conscientização dos funcionários, com relação à fonte finita de recursos naturais;
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acompanhamento mensal dos consumos e medidas para redução dos mesmos.
A economia de água nos canteiros deve estar fundamentada na sustentabilidade, entretanto os fatores econômicos ajudam a impulsionar esta necessidade, já que o “boom” da construção civil certamente elevará a demanda de água e, com a baixa oferta do insumo, o custo da água tende a aumentar cada vez mais, elevando ainda mais o custo total do empreendimento.