Proesco estagna com impasse entre BNDES e Escos sobre garantias
Continua o impasse para facilitar o desembolso da linha de crédito para programas de eficiência energética desenvolvidos pelas empresas de conservação de energia (Escos). Segundo um representante das Escos, elas e o BNDES ainda não conseguiram encontrar uma fórmula adequada para a apresentação de garantias e para o processo de aprovação pelo banco.
“As escos são pequenas e não têm como prestar garantias e o BNDES não trabalha com financiamentos não reembolsáveis, por isso a taxa de mortalidade dos projetos apresentados é alta," disse Marco Antonio Donatelli, vice-presidente da Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia (Abesco) e diretor da Light Esco, no 10º Encontro Internacional de Energia. "Estamos realizando reuniões entre o BNDES, os bancos e as Escos para aperfeiçoar esse modelo, pois é muito pouco termos somente seis projetos aprovados em mais de dois anos".
Segundo a Abesco, apenas seis financiamentos - totalizando R$27.75 milhões - foram concedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) desde 2006, quando foi aprovada a linha Proesco, destinada a financiar os projetos das Escos para seus clientes em contratos de performance.
Além desses seis projetos, há um aprovado ainda não contratado, outros cinco estão em tramitação com grandes chances de aprovação e há a perspectiva de um novo ser apresentado ao banco ainda neste ano. A informação é de Otávio Vianna, representante do Departamento de Operações de Meio Ambiente do BNDES.
O valor já contratado está muito aquém dos R$85 milhões previstos pelo banco para ser investido nas Escos até o final de 2010.
O pequeno número de projetos aprovados deve-se ao fato de que muitas Escos, por serem pequenas empresas, não têm condições de oferecer as garantias exigidas pelos bancos para a concretização dos empréstimos.
Por serem empresas de serviços, elas raramente têm ativos reais para entregar como garantia. No entanto, as Escos precisam de caixa para implementar os projetos já que os contratos de performance determinam que o pagamento é feito com a economia gerada após as mudanças implementadas, que inclui mudanças de processos produtivos, reformas e até troca de máquinas.
A Revista Sustentabilidade apurou que o BNDES propôs às consultorias a apresentação da receita de projetos anteriores como garantia. A sugestão foi rechaçada pelas empresas, que teriam alegado necessitar deste fluxo para manter suas atividades.
Para Eduardo Antonio Moreno, diretor do departamento de energia da Fiesp, tempo gasto nas negociações em torno dos financiamentos é outra questão que deve ser melhorada nos contratos de performance. "Normalmente a tramitação do projeto demora mais tempo que o tempo do projeto", disse.
Moreno assegurou também que a Fiesp está realizando uma ação junto ao BNDES para operacionalizar esse processo.