Fabricantes começam a se preocupar com lixo eletrôncio
Os fabricantes de eletroeletrônicos, informática e aparelhos comunicação querem buscar uma meio de processar e dar um destino melhor aos seus produtos que são descartados cada vez mais rapidamente por causa do avanço tecnológico no setor, concluíram representantes das principais indústrias em encontro promovido pela Federação de Comércio de São Paulo (Fecomércio) no início de junho.
"Estamos vivendo uma situação ao mesmo tempo curiosa, significativa, interessante e perigosa, que é experimentar novas tecnologias e dispositivos", disse Renato Opice Blum, Presidente do Conselho Superior de Tecnologia da Informação da Fecomércio.
Blum destacou a disponibilidade dos brasileiros em absorverem novidades tecnológicas, enfatizando que muitos tem separado uma parte do seu orçamento para testar essas inovações, fato comprovado pelo dado de que o Brasil conta com 130 milhões de celulares funcionando enquanto 19% dos lares brasileiros têm, ao menos, um computador.
No entanto, menos de 10% deste material é reusado ou reciclado e, para Blum, as empresas do setor têm que começar a planejar este descarte, sem mudar a estratégia de constantemente incorporar os avanços tecnológicas nos aparelhos.
Para ele, a responsabilidade tem que ser compartilhada com o consumidor que precisa ter a consciência da decisão de compara um aparelho com tecnologia nova mesmo que resulte no descarte de uma tecnologia mais antiga.
O representante da montadora de computadores pessoais e corporativos DELL, uma solução é receber dos clientes os computadores antigos para encaminhá-los para reúso.
Segundo diretor de assuntos corporativos da empresa, Gleverton Munno, a empresa recolhe os equipamentos obsoletos da sua própria marca e de outras marcas quando o cliente adquirir um equipamento da empresa. Os obsoletos são destinados ao reuso ou à disposição final na incineração.
O destino de 95% do material coletado são as oficinas de recondicionamento da própria empresa antes de distribuí-los a jovens de baixa renda nas periferias das grandes cidades. Segundo o executivo, apensa 5% dos equipamentos coletados são incinerados.
No entanto, a DELL vê a necessidade de ir além da oferta de pontos de coleta e já introduziu a coleta domiciliar dos computadores.
"Este é o padrão mais rígido do mundo, que é coletar na casa do cliente", disse Munno. "A Empresa pode estabelecer um ponto de coleta, mas mesmo assim, continua coletando na residência, se isso for solicitado".
Munno não informou, no entanto, quantos equipamentos recolhe comparado aos 140 mil equipamentos que saem de suas linhas de montagem diariamente.
Para a fabricante de finlandesa de celulares, Nokia, coleta os celulares usados em 88 países onde opera comercialmente e destina a centros de reciclagem em 80 países. Os celulares coletados no Brasil, informou Jô Elias, diretora de comunicação da Nokia., são exportados. N Média, 80% dos componentes podem ser reciclados e os 20% restantes são incinerados, gerando a energia que mantem a própria reciclagem.
Além disso, a empresa desenvolveu um projeto piloto em alguns países europeus em que era possível adquirir um celular sem o carregador, já que todos os celulares da marca usam o mesmo carregador, o que evitou o acúmulo de carregadores nas casas dos usuários, além de economizar recursos naturais para a sua fabricação.
Outras soluções que a empresa encontrou na busca por uma economia de recursos naturais foi a diminuição do tamanho da embalagem dos celulares, o que em um ano gerou uma economia de 100 mil toneladas de papelão, evitando que 12 mil caminhões fossem para as ruas entregar o produto e economizando 47,4 mil euros para a empresa.
No Brasil, a empresa tem pontos de coleta junto com as operadoras, que são as responsáveis por 75% dos aparelhos celulares comercializados no pais. A Nokia também está buscando parcerias no varejo, para aumentar essa rede de coleta.
Mas para a empresa, o elo que falta para melhorar a eficiência dos sistemas de coleta e reciclagem é a conscientização do próprio consumidor, disse Elias.
De acordo com uma pesquisa conduzida pela própria Nokia no ano passado em todo o mundo, apenas 3% das pessoas mandavam seus celulares fora de uso para reciclagem e 50% dos entrevistados desconheciam o fato de que os celulares podem ser reciclados.
Por isso, a diretora destaca que há um grande trabalho de educação para ser feito na questão da reciclagem de equipamentos eletrônicos.
Há no entanto, outras questões cunho legal que têm que ser abordadas na implementação de programas de reciclagem, explicou o advogado e consultor José Milagre, especialista e em direito eletrônico.
Para ele, uma questão premente é garantir para público em geral que a coleta e reciclagem realmente existem e isto, explicou, depende das indústrias encontrarem um meio de certificação destes processos.

Del.icio.us
Facebook
Google Bookmarks
Live
Yahoo Bookmarks
Twitter
MySpace
StumbleUpon
