Grupo Pão de Açúcar quer economizar R$ 7,5 mi cortando desperdício até final de 2011
O Grupo Pão de Açúcar vai implementar programas com seus consumidores, fornecedores e funcionários para reduzir as perdas na cadeia logística em cerca de 50% - R$ 7,5 milhões - até o final de 2011, informou o vice presidente do grupo Hugo Bethlem à Revista Sustentabilidade.
A segundo Bethlem, as perdas anuais com desperdício de produtos in natura, alimentos industrializados e até de bens duráveis somam cerca de R$15 milhões.
Apesar de ser uma perda pequena em relação ao faturamento de R$20 bilhões em 2009, esta perda representa cerca de 2,5% do lucro líquido no ano.
Os programas visam aumentar a conscientização dos grupos para reduzir as perdas e deve começar com uma ampla pesquisa com os consumidores para entender quais as principais mudanças que devem ser feitas.
Sem informar o quanto será investido no projeto de redução de perdas - que também será combinado com um projeto de redução de emissões de CO2 -, Bethlem informou que deve contar com uma avaliação de todo o sistema de logística do grupo.
"Vamos monitorar a qualidade dos produtos que chegam na nossa plataforma para diminuir a perda dentro da cadeia," disse.
Atualmente, 85% dos produtos que chegam às 1.080 lojas do grupo passam pelos armazens após negociação com as centrais de compras do grupo. Destes centros logísticos estratégicos, os produtos são distribuídos para as lojas.
Ficam de fora os hortifrutis, que representam a parcela de aproximadamente 15% de produtos que são entregues diretamento às lojas por produtores locais.
Bethlem disse que o projeto incluirá um sistema de logística reversa que vai levam em conta o ciclo de vida dos produtos, entretanto, não não detalhes, ao ser perguntado sobre como o programa funcionaria.
FORNECEDORES
Além disso, o grupo abriu frente de conversas com alguns fornecedores para segmentar as embalagens pensando nos volumes consumidos por diferentes grupos de pessoas como os solteiros, os idosos e famílias.
A ideia é fazer embalagens que contenham quantidade de produtos adequadas para cada grupo, uma tendência já identificada pela indústria de embalagens.
O foco, no entanto, ainda é o consumidor, gasta em média R$30,00 cada vez que vai à loja e é também responsável por parte deste desperdício.
"São milhares de pessoas que deixam coisas nos caixas que acabam estragando," disse.
Por isso, o grupo vai implementar um programa que visa racionalizar o consumo e não diminuí-lo.
"É utópico dizer que vai ensinar o consumidor a consumir porque ele já sabe consumir e tem desejos," explicou o executivo. "Ele tem que aprender a ser mais racional".
Para uma indústria como o Grupo Pão de Açucar, que mede seu desempenho mensal em reais por metros quadrados - indicador que obteve um acréscimento de 9% de 2008 a 2009 - , é uma tarefa complexa aumentar o faturamento, o que sempre será a meta financeira das empresas de varejo.
Em 2009, o grupo chegou a vender R$1.414 por metro quadrado por mês, um aumento de 8%.
Até 2012, o grupo pretende investir R$5 bilhões, que inclui a abertura de 300 novas lojas, 100 das quais serão da marca Extra Fácil (que são lojas menores de conveniência nos bairros) e Assai (centros de vendas focados em vendas por atacado).
"O desafio é equilibrar a necessidade de vender mais e respeitar o consumo consciente," concluiu Bethlem.

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