USP inova na pesquisa de conversão de energia solar em elétrica
Pesquisadores brasileiros estão desenvolvendo células fotovoltaicas que utilizam pigmentos encontrados em frutas tropicais e que são mais baratos que o silício, segundo a Revista Pesquisa Fapesp.
A pesquisadora Neyde Yukie Murakami Iha, da Universidade de São Paulo (USP), já vem testando as células há mais de dois anos e classifica os resultados como promissores.
A idéia é transformar a energia solar em energia elétrica de uma forma similar à da fotossíntese das plantas, um processo totalmente diferente da captação que utiliza o silício, o material mais usado nas placas fotovoltaicas.
Segundo a revista, a vantagem dos corantes orgânicos está no custo, que gira em torno de US$0,40/watt (R$0,93/watt) comparado com US$3,00/watt da tecnologia à base de silício, em que, além do custo dos materiais para a produção dos cristais, há um alto custo energético na produção.
O conceito não é novo, já que nos anos 90 foram desenvolvidas células solares constituídas de dióxido de titânio (TiO2) e sensibilizadas por corantes. O avanço nos estudos da professora Neyde é o uso de corantes orgânicos, em contraposição aos sintéticos, à base de silício.
Flores e frutas como amora, jabuticaba, açaí, jambolão foram escolhidas como objeto das pesquisas por conterem antocianinas - pigmentos vermelhos, roxos e azuis, cores fortes que têm a capacidade de absorver luz em largo espectro e que têm dado resultados em protótipos de células fotovoltaicas que estão em teste há mais de um ano no Laboratório de Fotoquímica e Conversão de Energia da USP.
A eficiência de conversão das células coradas organicamente ainda é baixa se comparada à tecnologia de silício, ou seja, 7% a 8% contra 11% nas células comerciais à base de silício policristalino.
No Brasil, os estudos sobre o potencial de conversão de energia solar em energia elétrica são escassos. Segundo a Revista Fapesp, estima-se que esse valor esteja em torno de 10 mil megawatts, porém somente 12 megawatts são realmente aproveitados, estando instalados em comunidades isoladas. Outros 80 MW integram sistemas conectados à rede elétrica, em caráter experimental.

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